Em Lei de Execução Penal os assuntos mais cobrados na OAB e em concursos são progressão de regime, faltas graves, saída temporária e remição da pena. Dominar esses quatro temas é fundamental para resolver questões de Direito Penal e Execução Penal com mais segurança.
E no dia 11 de julho, a Lei nº 7.210/1984, conhecida como Lei de Execução Penal (LEP), completa mais um ano de vigência. Embora tenha sido publicada há mais de quatro décadas, a norma permanece entre as mais relevantes para quem deseja construir uma carreira jurídica.
Ao longo dos anos, a LEP passou por diversas alterações. Uma das mais significativas ocorreu com o Pacote Anticrime (Lei nº 13.964/2019), que modificou profundamente regras sobre progressão de regime. Mais recentemente, novas mudanças envolvendo as chamadas “saidinhas” reacenderam o debate sobre execução penal e voltaram a colocar a legislação no centro das atenções.
Essa constante evolução explica por que a Lei de Execução Penal aparece com tanta frequência em provas da OAB, ENAM e concursos para Delegado, Magistratura, Ministério Público, Defensoria Pública e demais carreiras jurídicas.
Mais do que decorar artigos, hoje as bancas exigem que o candidato compreenda a finalidade da execução penal, conheça a jurisprudência atualizada e saiba aplicar a legislação a casos concretos.
Os 4 temas da Lei de Execução Penal que mais caem em provas
Antes de aprofundar cada assunto, confira um resumo dos temas da Lei de Execução Penal com maior incidência na OAB, no ENAM e nos concursos para carreiras jurídicas.
| Tema | O que costuma ser cobrado | Nível de incidência |
|---|---|---|
| Progressão de regime | Novos percentuais do art. 112 da LEP após o Pacote Anticrime, requisitos para progressão e diferenças entre condenado primário e reincidente. | ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
| Faltas graves | Hipóteses previstas nos arts. 50 a 52 da LEP, consequências disciplinares, perda dos dias remidos e entendimento da Súmula 441 do STJ. | ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
| Saída temporária e permissão de saída | Diferenças entre os institutos, autoridade competente para concessão, requisitos legais e alterações promovidas pela Lei nº 14.843/2024. | ![]() ![]() ![]() ☆ |
| Remição da pena | Remição pelo trabalho, estudo e leitura, cálculo dos dias remidos e entendimentos consolidados do STJ. | ![]() ![]() ![]() ☆ |
Se o tempo de preparação for limitado, esses quatro assuntos devem receber prioridade. Juntos, eles concentram boa parte das questões de execução penal elaboradas pelas principais bancas, como FGV, Cebraspe e Vunesp. Entretanto, o melhor desempenho costuma surgir quando o estudo da LEP é integrado à jurisprudência do STF e do STJ e às alterações legislativas mais recentes.

O que é a Lei de Execução Penal e por que ela é tão importante?
A Lei de Execução Penal regulamenta a forma como penas privativas de liberdade, penas restritivas de direitos e medidas de segurança são executadas no Brasil.
Seu principal objetivo é garantir que o cumprimento da pena ocorra dentro dos parâmetros estabelecidos pela Constituição Federal, respeitando a dignidade da pessoa humana e promovendo condições para a reintegração social do condenado.
Na prática, a LEP disciplina assuntos como:
- regimes de cumprimento da pena;
- direitos e deveres do preso;
- progressão e regressão de regime;
- remição da pena;
- faltas disciplinares;
- benefícios da execução penal;
- atuação do juiz da execução.
Além de sua importância prática, trata-se de uma das legislações mais cobradas nas provas jurídicas, justamente porque conecta o Direito Penal à realidade da execução das penas.
Por que a LEP aparece tanto nas provas?
As bancas valorizam temas que exigem interpretação da lei e conhecimento da jurisprudência.
Nesse contexto, a execução penal reúne dispositivos legais, entendimentos consolidados do STF e do STJ e alterações legislativas recentes, tornando-se um terreno fértil para questões objetivas, discursivas e estudos de caso.
Além disso, as mudanças promovidas nos últimos anos ampliaram significativamente a incidência da matéria em concursos públicos.
Quais temas da Lei de Execução Penal mais caem em concursos?
Embora toda a legislação seja relevante, a análise das provas da FGV, Cebraspe, Vunesp e outras grandes bancas revela quatro assuntos com incidência muito superior aos demais.
O primeiro deles é, sem dúvida, a progressão de regime.
Como funciona a progressão de regime após o Pacote Anticrime?
A progressão de regime representa o tema mais recorrente da Lei de Execução Penal.
A reforma promovida pela Lei nº 13.964/2019 alterou completamente a lógica utilizada até então.
As antigas frações de cumprimento da pena — como 1/6, 2/5 e 3/5 — deixaram de ser a regra geral.
Hoje, o artigo 112 da LEP estabelece percentuais que variam conforme:
- natureza do delito;
- existência de violência ou grave ameaça;
- reincidência;
- ocorrência de resultado morte em crimes hediondos.
Essa mudança tornou as questões muito mais complexas.
Quais percentuais merecem maior atenção?
Embora a leitura integral do artigo 112 seja indispensável, alguns percentuais aparecem com maior frequência nas provas.
Entre eles destacam-se:
- 16% para condenado primário por crime sem violência ou grave ameaça;
- percentuais intermediários para crimes com violência e delitos hediondos;
- até 80% para determinadas hipóteses envolvendo reincidência específica em crimes hediondos com resultado morte.
Em vez de exigir mera memorização, muitas bancas apresentam situações hipotéticas para verificar se o candidato consegue identificar corretamente o percentual aplicável.
Por isso, compreender a lógica da progressão costuma produzir resultados melhores do que decorar números isoladamente.
O que mudou com o Pacote Anticrime?
Entre as principais alterações estão:
- substituição das antigas frações por percentuais;
- critérios mais detalhados para crimes hediondos;
- diferenciação entre primários e reincidentes;
- maior individualização da execução da pena.
Essas mudanças permanecem entre os assuntos mais explorados pelas bancas e exigem atualização constante.
O que configura falta grave na Lei de Execução Penal?
Outro tema clássico das provas envolve as faltas disciplinares, especialmente as chamadas faltas graves, previstas nos artigos 50 a 52 da LEP.
O examinador costuma avaliar se o candidato consegue identificar quais condutas configuram falta grave e quais são seus efeitos na execução da pena.
Entre os exemplos mais conhecidos estão:
- fuga;
- participação em motim;
- posse, utilização ou fornecimento de aparelho celular ou equipamento capaz de permitir comunicação com o ambiente externo;
- prática de fato definido como crime doloso.
Essas hipóteses aparecem repetidamente em provas objetivas.
→ Prisão Preventiva: prazos, requisitos e como tema pode ser cobrado em provas
Quais são as consequências da falta grave?
Esse ponto merece atenção especial.
A prática de falta grave pode gerar diversas consequências jurídicas, entre elas:
- regressão do regime prisional;
- interrupção do prazo para progressão de regime;
- revogação de benefícios concedidos;
- perda de até um terço dos dias remidos, conforme decisão fundamentada do juiz.
Entretanto, existe uma pegadinha bastante conhecida pelas bancas.
Segundo a Súmula 441 do STJ, a prática de falta grave não interrompe o prazo para obtenção do livramento condicional.
Esse entendimento aparece com frequência em provas de Delegado, Magistratura e Ministério Público justamente por confundir candidatos que estudam apenas o texto legal.
Além disso, é comum que as questões exijam conhecimento simultâneo da LEP e da jurisprudência consolidada dos tribunais superiores.
Como diferenciar saída temporária e permissão de saída?
Poucos assuntos geram tantas dúvidas — e tantas questões de prova — quanto a distinção entre saída temporária e permissão de saída.
Embora ambos os institutos permitam que a pessoa privada de liberdade deixe o estabelecimento prisional em situações específicas, eles possuem requisitos, finalidades e autoridades competentes diferentes.
Essa diferenciação aparece com frequência em provas da FGV, Cebraspe e Vunesp, especialmente após as recentes alterações legislativas envolvendo as chamadas “saidinhas”.
O que é permissão de saída?
A permissão de saída, prevista na Lei de Execução Penal, possui caráter excepcional e humanitário.
Mas ela pode ser concedida pelo diretor do estabelecimento prisional, com escolta, quando ocorrer:
- falecimento ou doença grave de cônjuge, companheiro, ascendente, descendente ou irmão;
- necessidade de tratamento médico quando inexistente no estabelecimento prisional.
Dessa forma, como regra, o preso permanece sob vigilância durante todo o deslocamento.
O que é saída temporária?
A saída temporária possui natureza distinta.
Isso porque, ela depende de autorização do Juízo da Execução Penal e destina-se ao preso que cumpre pena em regime semiaberto e preenche os requisitos legais.
Dessa forma, historicamente, o benefício era concedido para situações como:
- visita à família;
- participação em atividades que contribuíssem para o retorno ao convívio social;
- frequência a cursos de ensino regular ou profissionalizante.
Entretanto, a disciplina da saída temporária passou por mudanças relevantes com a Lei nº 14.843/2024, que restringiu significativamente sua concessão. Essas alterações reacenderam o debate jurídico e aumentaram o potencial de cobrança do tema nas provas.
Por isso, além da leitura da Lei de Execução Penal, é fundamental acompanhar as atualizações legislativas e os desdobramentos jurisprudenciais relacionados ao assunto.
Quais diferenças merecem atenção?
Em questões objetivas, a banca costuma explorar aspectos como:
| Permissão de saída | Saída temporária |
|---|---|
| Concedida pelo diretor do presídio | Concedida pelo juiz da execução |
| Possui escolta | Em regra, ocorre sem vigilância direta |
| Motivos humanitários | Finalidade ressocializadora prevista em lei |
| Pode alcançar presos em diferentes regimes, conforme o caso | Exige o preenchimento dos requisitos legais aplicáveis |
Mais do que decorar essas diferenças, vale compreender a finalidade de cada instituto. Esse entendimento facilita a resolução de casos práticos apresentados nas provas.
Como funciona a remição da pena?
A remição da pena, prevista no artigo 126 da Lei de Execução Penal, consiste na redução do tempo de cumprimento da pena em razão do trabalho ou do estudo realizado pelo condenado.
O tema está presente de forma recorrente em concursos públicos porque reúne previsão legal expressa e intensa construção jurisprudencial.
Como ocorre a remição pelo trabalho?
A regra geral estabelece que o condenado pode remir um dia de pena para cada três dias de trabalho, desde que a atividade seja regularmente reconhecida pela administração prisional.
Além de estimular a ressocialização, esse mecanismo valoriza o exercício de atividades laborais durante a execução penal.
Como ocorre a remição pelo estudo?
Também é possível reduzir a pena por meio da educação.
Nesse caso, a LEP prevê a remição de um dia de pena a cada doze horas de frequência escolar, distribuídas em, no mínimo, três dias.
São admitidas atividades de:
- ensino fundamental;
- ensino médio;
- ensino superior;
- educação profissional;
- cursos de qualificação;
- educação a distância, quando autorizada.
A leitura também pode gerar remição?
Sim. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou a possibilidade de remição pela leitura em programas instituídos pelo Poder Judiciário ou pela administração penitenciária.
Além disso, a aprovação no Encceja PPL ou no Enem PPL também pode gerar benefícios relacionados à remição, conforme os critérios estabelecidos na legislação e nos atos normativos aplicáveis.
Esses entendimentos demonstram que as bancas valorizam não apenas o texto legal, mas também a interpretação construída pelos tribunais superiores.
Como estudar a Lei de Execução Penal para concursos e OAB?
A LEP é relativamente enxuta quando comparada a outros diplomas legais. Ainda assim, seu estudo exige método e atualização.
Dessa forma, uma estratégia eficiente pode ser organizada em quatro etapas:
Leia a legislação seca
A leitura frequente da Lei nº 7.210/1984 continua sendo indispensável, especialmente para identificar a redação dos dispositivos mais cobrados.
Relacione a lei com a jurisprudência
Grande parte das questões envolve entendimentos do STF e do STJ sobre progressão de regime, faltas disciplinares, remição e benefícios da execução penal.
Resolva questões das principais bancas sobre Lei de Execução Penal
FGV, Cebraspe e Vunesp apresentam padrões próprios de cobrança. Resolver provas anteriores ajuda a identificar esses comportamentos.
Revise alterações legislativas recentes
Mudanças promovidas pelo Pacote Anticrime e pela Lei nº 14.843/2024 permanecem entre os temas mais relevantes da atualidade e devem integrar qualquer planejamento de estudos.
→ Preservação de evidências: por que ela é decisiva na defesa?
Perguntas frequentes sobre a Lei de Execução Penal
Quando foi criada a Lei de Execução Penal?
A Lei de Execução Penal foi instituída pela Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984, com o objetivo de regulamentar a execução das penas e das medidas de segurança no Brasil.
A falta grave interrompe o prazo para livramento condicional?
Não. Conforme a Súmula 441 do STJ, a prática de falta grave interrompe o prazo para progressão de regime, mas não interrompe o prazo para obtenção do livramento condicional.
Como funciona a progressão de regime após o Pacote Anticrime?
A Lei nº 13.964/2019 substituiu as antigas frações por percentuais de cumprimento da pena, que variam conforme a natureza do crime, a existência de violência ou grave ameaça e a condição de primário ou reincidente do condenado.
Quais temas da Lei de Execução Penal mais caem em concursos?
Os assuntos de maior incidência são:
- progressão de regime;
- faltas graves;
- saída temporária e permissão de saída;
- remição da pena.
→ Concursos para delegado: panorama nacional interativo disponível
Lei de Execução Penal ainda é destaque no universo jurídico
Mais de quatro décadas após sua promulgação, a Lei de Execução Penal continua ocupando posição de destaque na formação jurídica e na preparação para concursos públicos e para o Exame da OAB.
Além disso, as transformações promovidas pelo Pacote Anticrime, as recentes alterações relacionadas às saídas temporárias e a constante evolução da jurisprudência demonstram que a execução penal permanece em permanente construção.
Por isso, estudar a LEP exige muito mais do que decorar dispositivos legais: é preciso compreender a finalidade das normas, acompanhar os entendimentos dos tribunais superiores e identificar os temas com maior incidência nas provas.
Além disso, dominar progressão de regime, faltas graves, saída temporária, permissão de saída e remição da pena representa um passo importante para quem busca aprovação nas carreiras jurídicas.
O post Lei de Execução Penal: o que mais cai em provas? apareceu primeiro em Blog do Damásio | OAB, Pós-Graduação e Carreiras Jurídicas.
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A LEP deve ser estudada em conjunto com o Código Penal, o Código de Processo Penal e a jurisprudência dos tribunais superiores. Essa abordagem facilita a compreensão da lógica da execução penal e aumenta o desempenho nas provas.
Elaborar quadros comparativos entre a redação anterior e a atual do artigo 112 facilita a memorização e reduz erros nas questões de progressão de regime.
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